Pedaços.

Eu não escolhi ser poetisa, eu nasci.

Do incêndio que se faz em você.

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Eu tava ouvindo Tim Maia cantar algo do tipo: "que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri." Só que eu percebi que a gente anda fazendo isso demais, sabe? Não sofrer. Mas andamos rindo de tudo e todos. E algo meio que disparou o sinal vermelho, só que eu não quis correr como se corre de um incêndio, eu quis ficar ali observando e pedi para o circo pegar fogo. Eu quis pagar para ver. Eu quis te ver ali sorrindo para mim, daquele jeito que só você sabe, derretendo-me aos poucos.
Porque você sabe fazer isso com maestria, derreter-me, deixar-me boa. Talvez seja sintoma, daquele amor antigo que o tempo resolveu resgatar. Sabe aquele? Que deixei passar, que foi abafado aqui dentro desse coração? Reviveu. E me fez reviver aquela história já esquecida. Mais que isso, nasceu a vontade de criar uma nova, com um novo fim. Feliz.



O gelo que te envolve, vezenquando.

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- Ah, o amor. - Pensou ela.
E não pôde completar a frase. Não que ela não quisesse, não conseguia. Sempre soube que o amor tinha suas lascas afiadas e que acabaria se machucando. E assim sempre acontece. O amor, ela generalizou, irá matar você. Ela conversava com o pipoqueiro que, impacientemente, arrumava a sua carrocinha. A moça encontrou no desconhecido um ombro amigo, alguém para desabafar sobre a ausência dele. O velho com o olhar terno, despediu-se diante da noite que avançava furtivamente. E ela continuo ali.



A moça vermelha com o rosto em formato de coração estava ali. Sozinha. E soube, que doeria, voltar para casa e saber que não haveria recados na secretária eletrônica que a avó lhe dera, que faria apenas uma torrada e ainda assim deixaria metade e ele não estaria lá para obrigá-la a comer, que ele não seria mais a cobaia dele em seus experimentos gastrônomicos.



E andando meio zonza, abraçou-se enquanto olhava para o relógio na Praça Central. Sentia frio. E soube ali que não havia mais o nós, apenas um "eu" congelando em plena avenida. Porque até a mais bela rosa, poderia esconder os mais terríveis espinhos. E assim, ela soube, que o amor também poderia ser inimigo.

Brevidade.

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É um brevíssimo segundo, eu sei.A vida que há muito me escorre entre os dedos, os dias que se passam sem ao menos dizer: “olá!”. O tiquetaquear do relógio que se torna inaudível e, incrivelmente, me parece roubar horas, minutos, segundo. E essa brevidade não me apetece como aquele bolo docinho que derrete na boca, ela me apavora. Porque eu sinto não ser, por vezes, capaz de concretizar tudo aquilo que desejo. Percebo que estacionei em alguns lugares e por mais que eu tente engatar a marcha, ela não vai.

Só que Tu me vens maciamente e ao pé do ouvido dizes: “há tempo para tudo.” E então eu compreendo que tens razão. Que não há como colocar o carro na frente dos bois, que o Teu tempo é diferente do meu e que eu devo esperar Tuas demoras. É difícil, Senhor. Mas desde que comecei a dar graças por tudo a minha vida é fruta-cor, os meus dias mesmo que breves são felizes.

E esse vento doce que me vem beijar a face nessa segunda-feira fria, é apenas o prenúncio de que Tu estás a caminho, que andas ao meu lado e que me ergues. E não importa o quanto a dor possa me alcançar, se a minha mente estiver em Ti, ela não me ferirá. E eu creio que o Teu abraço que me embala continuará até os fins dos tempos.

Entendi que a felicidade está ao nosso alcance.
Ao meu.