quarta-feira, novembro 18, 2015

O tempo (não) cura tudo




Por muito tempo eu acreditei na premissa de que o tempo curava tudo. Hoje, depois de tanto tempo, eu reconheço que ele apenas adormece aquilo que antigamente era latente. Nós deixamos de ser um do outro há mais de 3 primaveras e ainda assim, decorridas tantas estações, me sinto presa a ti. Eu queria aprender a pontuar a minha história, abolir as reticências desse livro inacabado que resolvi escrever, dar vida a outro personagem principal, mas sinto que ainda há algo que nos liga. 


Talvez seja a minha incapacidade de aceitar finais tristes, de querer entender o destino e suas surpresas. O tempo deveria curar. É o que me dizem, é também o que desejo, mas tenho perdido as esperanças e caminhado cada vez mais lentamente. Os dias parecem, também, acompanhar os meus passos. Andam tão velozes quanto as tartarugas que vimos outra vez no jardim zoológico. É, tudo o que me cerca, que me rodeia, me leva de certa forma até você. Até os transeuntes que andam apressadamente na rodoviária às 19h, após um dia cansativo de trabalho.

O tempo deveria curar - eu repito a mim mesma. E sei que cedo ou tarde ele tratará de cuidar dessas cicatrizes que ganhei de bônus com a tua passagem pela minha vida. Sei que as marcas que deixamos na alma dos outros são indeléveis. E, embora o tempo cuide, medique, ele jamais trará de volta à integridade completa aquilo que um dia fora machucado. A carne é rasgada, cortes não saram por completo, a vida não se regenera em sua totalidade.


Eu sei que o tempo deveria curar tudo. Mas sei, ainda, que vez ou outra ele me levará novamente até aquele quarto, me sentará naquela cama mais uma vez, e me fará implorar que você me deixe ficar. Ele me levará a experimentar de novo o penoso sabor dos teus lábios e me lembrará, tristemente, que a partida nem sempre é uma opção. A minha, por exemplo, fora uma imposição.

¹ imagem: Théo Gosselin.

Um comentário:

  1. Me inseri nesse texto, o tempo passou e realmente ele não é capaz de curar tudo, tantas lembranças, tudo que era tão bom, mas talvez fosse bom pra um deles, pro outro não fazia diferença e por isso devemos deixar ir. Tem gente que não merece nem metade dos nossos pensamentos, como se isso fosse fácil ;) rsrs


    Beijo,
    www.andreakopper.com

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