sexta-feira, maio 19, 2017

A geração do desapego!



Dia dos namorados se aproximando é a mesma coisa que dezembro quando está perto da noite de réveillon: lá vem mais uma baita nostalgia com uma retrospectiva anual.que é que eu fiz durante esse ano de solteiro? Quantas bocas eu beijei? Ana Carolina, Gabriela, ops! Acho que era Sthefany mas chamei de Daniela, erro meu. Não estou acostumado em manter a frequência se é que me entende.

Um sábado à noite, um encontro, uma sorveteria, talvez um cinema ou até mesmo um domingo preguiçoso na cama de conchinha, vai depender de quem será a minha companhia. Ligo a televisão é: “só love, só love”. No rádio só toca música romântica, na rua todas as lojas estão abarrotadas de balão de coração, é uma epidemia tão doce que chega a me dar náuseas.

Marco um futebol com o Paulinho, mas ele tem que levar a mulher no aniversário da tia-avó. Chamo o Guto para aquele open bar e digo que levarei uma amiga da minha garota da vez, ele me dispensa porque o lance com a Caty evoluiu e agora ele entrou para o time do sosseguei. Eu hein, será que é o mal do século? Ou será que sou eu que não me canso dessa vida de rei?

Mas que reinado mas sem graça! Está sobrando vassalos e me faltando, a minha rainha.

-É, mais pera? Quem é que preferiu jogatina ao invés do xadrez? Brada um resquício de consciência e que me bota para refletir.

Foram tantas as companhias, mas continuo me sentindo só, não sei de quem é a culpa, mas quem arca com as consequências unicamente sou eu, e não há quem possa de mim ter dó. Eu que me prendo em um olhar, me rendo por um sorriso e até juro que vou casar por causa do sabor de um beijo, eu que me deleito em alguns corpos, sacio o desejo do momento e digo que depois eu vejo o que irei fazer.

É desejos, luxúria, corpos que se entregam, mas sem nenhum afeto. Eu quero me apaixonar, mas me proíbo antes mesmo do sol raiar, um beijo daqui um nome trocado dali, onde é que tudo isso irá me levar? Eu nunca sei, mas no final sinto uma vontade louca de pedir ajuda, mas quem é que vai mesmo me ouvir? Eu me fechei e mandei o amor ir parar em outra freguesia, porque aqui pra ele não tinha lugar. Então o que fazer quando a única vontade é de se apaixonar?

Eu devo estar ficando louco, mas pera, é apenas essa maldita data, sempre nessa época do ano fico nessa onda da casa de cerquinha branca, os filhos e o cachorro, mas logo o tempo voa e já voltamos para o carnaval, e de boca em boca eu vou calando as minhas intensões, o bom da vida é ser solteiro e ser o único dono de minhas emoções.

— Será? Me pergunta novamente a minha consciência gritante.

— Se tu estás tão feliz em ser da liberdade por que cogitas no amor pensar? Bom, guarde para si próprio suas justificativas, eu só sei que o mundo está aí, e você que finge estar vivo, está perdendo a essência do que realmente é viver.

Sabe aquela sensação que nos deixa com respiração ofegante, a ansiedade domina até acontecer o próximo encontro, e de repente nos vemos tão ligados a uma pessoa que o fato dela nos abandonar chega a doer? Ah é, tinha me esquecido, tu não conheces esse sentimento. Mas de dor tu entendes né? Dela tu se cerca toda vez que o amor te ronda e dele você jura não precisar. Então fiques nessa realidade alternativa que tu mesmo escolheste, e deixe a data 12 de junho para quem realmente não tem medo de ser romeu.

Nota de rodapé em adendo: “Tu escolheste a vida que estás vivendo, então não reclame da solidão, se ela é a única que tu permites ser permanente em sua vida”. 


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