terça-feira, maio 09, 2017

Mais de mil quilômetros.



Dois mil e quinze.

Havia um rapaz que não sabia se ficava ou se ia embora.  Que não sabia se abraçava ou se soltava. Que não sabia se amava ou se estava ali somente. Havia um rapaz até um outro rapaz chegar. Eu achava que amava até esse rapaz chegar. A gente confunde muito o amor. Acreditamos que o amor é o desejo, a pele e sempre estar perto. Amor não é físico. Não somente. Amor é aquele bom dia com desejo de boa sorte em um encontro de escritores, é vibrar e ouvir atentamente cada palavra do final de semana, é sentir uma pitadinha de ciúme mesmo sem conhecer a pessoa direito. É dar conselhos sem esperar nada em troca. Sem desejar ganhar vantagem com aquilo. Só pra tirar um pouco da angústia do coração do outro.

Amor é Kid Abelha cantando ao fundo e virando legenda de foto. É dormir e acordar com o pensamento naquela pessoa. É dar bom dia ansioso e sorrir do outro lado da tela. É se ver mergulhando em um sentimento sem saber onde ele irá nos levar. Ninguém escolhe por quem se apaixonar. Se pudéssemos escolheríamos o mais fácil. O que é mais palpável. O que não requer muito esforço. Mas o amor não é assim. Ele escolhe alguém que está há mais de mil quilômetros de nós. Ele não entende as dificuldades, não entende os malabarismos e tampouco se importa com o amanhã. O amor não é cego. Ele enxerga além. Ele cria possibilidades. Ele transforma pequenos empecilhos em grandes oportunidades. Ele apresenta um horizonte azul e cheio de esperança.

Amor é fotografia com os olhos sonhadores. É sentir o amor na voz do outro. É dizer aos amigos: “eu me casarei com ela”. É não ter certeza do amanhã e ainda assim ter esperança. É perceber que encontramos o amor de nossas vidas, a alma gêmea separada, e saber que nem mesmo a distância fora capaz de escondê-la de nossos olhos. O amor é coisa mágica e a gente só percebe isso quando vê na íris do outro, pela primeira vez, o quanto se é amado e querido. É cantar: “não me mate dentro de ti”, como oração para que ela permaneça. É desligar às 3 da manhã ansiando pelo outro dia. É fazer carinho na tela do telefone e perceber que realmente há sentimento.

Amor é distância que maltrata. É sentimento que parece impossível às vezes. É olhar para as impossibilidades e chorar, sofrer e se ver perdido. É dar adeus uma, duas, três vezes e sempre voltar atrás. É abraçar quem amamos e se perder dentro dos braços. É beijar o outro e se transformar em um. É sorrir das mesmas piadas, é cafuné em um dia de domingo, é calor dos corpos em uma manhã ensolarada, é olho no olho quando se diz: “eu te amo”, é a gargalhada quando se descobre a inocência do outro, e a surpresa que se tem diante da falta de mácula.

Amor é cafuné de novo no lago, é andar de mãos dadas mesmo desengonçada, é dar palmada, é fotografia, é passeio na cidade ou simplesmente um domingo no shopping da cidade. Amor é estar dentro da vida do outro e não se sentir estrangeiro. É olhar para a vida de quem amamos e se sentir confortável ali. É uma promessa ao pai de quem amamos de que voltará em breve. É perceber que a vida já preparou tudo até ali. Ao amor não cabe a facilidade, infelizmente, mas cabe a batalha e a esperança. O amor não nos promete céus e terras. Mas nos promete condições para voar e caminhar. Só quem se dispõe a olhar para a vida com coragem é que saberá superar todos os obstáculos que ela nos impõe.


O amor não nos promete nunca facilidade, mas nos assegura – ao final da luta – a felicidade.


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